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Brasília (Brasil)2019-09-30T21:30:00.000Z |
1) O fascismo e o nazismo são doutrinas que não aceitam as diferenças sociais. Para estas doutrinas, toda diferença gera atrito e em todo atrito há perda de energia social. Assim, a sociedade tem que ser completamente homogênea em termos de classe, raça, costumes, religião e etc. |
Para o socialismo, a diferença é o motor da história. É somente numa sociedade plural que se manifesta o atrito e o atrito (a luta) é o que move as sociedades em direção a evolução. As diferenças de classe, no entanto, devem ser suprimidas como condição para o socialismo. Contudo, só estas e apenas estas. Todas as outr... |
2) O fascismo e o nazismo glorificam a violência e, em última instância, a guerra. Tanto Hitler, quanto Mussolini, pensavam em mundo "renascido" após a brutalidade da guerra. Segundo eles, é a guerra (a suprema violência) que faz os "fortes emergirem e os fracos perecerem" e, por isto, conduz as sociedades ao seu "dest... |
O socialismo abomina a violência. Marx escreveu diversas vezes que a revolução se dava no ponto máximo da violência social e somente quando esta violência não era mais suportável pelos desfavorecidos. A violência transformadora da revolução seria pontual, como uma explosão e, então desnecessária. Toda violência extra, ... |
3) Por glorificar a violência e abominar a diferença o fascismo e o nazismo trazem como condição lógica de sobrevivência as ditaduras. É o controle do Estado o fim último dos regimes nazi-fascistas. É o Estado que deve coordenar, liderar, aglutinar, coibir, punir e etc. |
Por glorificar a diferença e abominar a violência o socialismo traz como condição lógica de sobrevivência uma sociedade politizada em que as divergências sejam resolvidas de forma democrática. A "ditadura do proletariado" seria apenas um período de depuração das reminiscências de classe. Apenas para destruir o sistema ... |
4) O fascismo e o nazismo vivem em apego ao "tradicional". O que mantém as diferenças entre os homens, o que foi plasmado no tempo e nas culturas é sempre exaltado como algo que "sempre foi assim" e não deve mudar. Desta forma, há uma tensão entre o novo e o velho no fascismo. O novo só é aceito se reverencia, fortalec... |
O socialismo necessita transgredir com o passado. É rompendo com as amarras dos caminhos já trilhados que o socialismo busca uma nova alternativa de sociedade, de economia, de cultura e etc. Isto representa uma busca e incentivo pela mudança EM TODAS AS áreas. A ciência não é apenas medida pelo seu caráter instrumental... |
5) O nazismo e o fascismo são necessariamente expansionistas em termos geográficos. Dado que a diferença é algo ruim, toda a expansão do nazismo e do fascismo dependem da tomada de terras, de riquezas naturais, de áreas vitais e pontos estratégicos. Com estes recursos, o regime mobiliza sua força para exterminar o dife... |
O socialismo independe do expansionismo geográfico. O ponto essencial é a formação de consciência nos indivíduos. Já que toda a riqueza advém do trabalho, não é necessário uma mina de ouro, para gerar riqueza, mas trabalhadores conscientes do seu local no processo de produção, no seu tempo histórico e no seu espaço soc... |
6) O nazismo e o fascismo necessitam do Estado e do nacionalismo. O nacionalismo é vendido como uma série de valores "comuns", mas que de 'comuns' nada têm. O nacionalismo tóxico, como valor etéreo simbolizado por bandeiras, cores, uniformes, cânticos e etc., não remete a qualquer realidade fática na história ou socied... |
O socialismo denuncia o uso do nacionalismo como combustível da violência e busca a ruptura com os laços ideológicos da diferença por "nação". Todo o homem, nascido em qualquer parte, tem direito às condições materiais que propiciem sua existência. Não se pode negar aos homens os direitos de sua existência porque eles ... |
7) O nazismo e o fascismo são profundamente capitalistas. Capitalismo NÃO É o mesmo que "livre mercado" ou "liberdade econômica". Capitalismo é a extração e retenção privada da mais valia como um sistema que se reproduz material e ideologicamente baseado na ideia excludente de "propriedade privada dos meios de produção... |
O socialismo se opõe a acumulação privada de recursos e à extração privada de mais valia. Afirma que toda a riqueza é socialmente construída e que o homem é, através de seu trabalho produtivo, o gerador desta riqueza. O sistema socialista não defende o fim da "propriedade privada" (tomados como casa, roupas ou utensíli... |
8) O nazismo e o fascismo possuem PROJETOS POLÍTICOS de extermínio e mudança pela morte. Seja com base no racismo ou seja com base numa superioridade cultural de determinados indivíduos ou sociedades, há um claro projeto de extermínio, um ataque sistemático ao direito de vida de todos os que não compactuam com o regime... |
O socialismo tem um projeto político de mudança social e nunca de extermínio. As estruturas econômicas do capitalismo devem ser exterminadas e NÃO os capitalistas ou os trabalhadores que acreditam nestes valores. Isto porque o socialismo advoga a ideia de que a materialidade gera suas explicações ideológicas às quais o... |
9) O nazismo e o fascismo tem um projeto de futuro inalterado. O futuro é um espaço de manutenção de conservação do mundo "como era no passado". Daí a tara que os fascistas e nazistas têm pelos passados mitificados (a glória dos dias de outrora). O futuro é, pois, o mais parecido possível com este passado glorificado. ... |
O socialismo desafia os seres humanos a romperem com as amarras do seu passado e buscarem um futuro radicalmente diferente. Assim, tudo o que glorifica, remete, e plasma o passado é considerado indesejável, subversivo e até criminoso. Os olhos e a preocupação das sociedades devem estar voltadas para o futuro. O passado... |
10) O nazismo e fascismo acolhem TODAS as ferramentas de dominação ideológicas. Da religião à estética, tudo o que pode exercer uma dominação "sem sangue" é utilizado pela exata falácia de dizer-se "não-ideológico". Por esconder que a religião traz ferramentas de dominação de classe, que é ideológica e que recria proce... |
O socialismo DENUNCIA todas as formas implícitas de luta ideológica. Desde a religião, até o Estado e cultura, tudo é passível de um olhar crítico. Ao mesmo tempo, o socialismo abertamente se reconhece ideológico. É pela transparência das disputas político-ideológicas (e não por escondê-las) que se chega a uma sociedad... |
São Paulo (Brasil)2021-09-11T20:04:00.000Z |
Historiadoras(es), juristas, sociólogas(os) e pesquisadoras(es) em geral costumam ser insistentes em apontar aspectos importantes normalmente despercebidos de imediato por força da emoção que, via de regra, é propagada entre mentes e corações que protagonizam os mais importantes fatos nos momentos em que a máquina hist... |
Por vezes, não querem ser ouvidos, pois nem sempre apontam causas e consequências que contrariam as explanações mais confortáveis. Mas a passagem do tempo possibilita um certo amadurecimento, bem como o clareamento das visões para análises mais consolidadas e embasadas. |
Como escreveu Isabel Allende em seu livro “A Casa dos Espíritos” ao descrever as conclusões de uma personagem que retratava uma jovem presa e torturada pela ditadura chilena, é preciso que a relação entre os fatos seja compreendida. A data de 11 de setembro é significativa quanto às lições que se pode tirar a partir de... |
Em 11 de setembro de 1973 os militares, comandados pelo General Augusto Pinochet cercaram e bombardearam o Palácio de La Moneda, sede do governo democraticamente eleito pelo povo chileno e que conduziu o socialista Salvador Allende ao poder. As cenas do bombardeio e do ataque são dramáticas e podem ser vistas nas redes... |
Allende, munido de um espírito de estadista, raro de ser encontrado nos dias que correm, opta por permanecer e defender o Palácio e a democracia com armas em punho e acompanhado de um grupo leal ao Presidente. O que se seguiu foi uma ditadura violenta responsável por milhares de crimes lesa-humanidade, com mais de 3 mi... |
Além disso, modelou o Chile atual que, apenas recentemente, elegeu uma nova constituinte para escrever sua nova Constituição, revogando assim o texto ditatorial do período Pinochet, aprovado por meio de plebiscito em 11 de setembro de 1980 (notem aí mais uma vez a data com seus significados) e que entrou em vigência em... |
Importante também lembrarmos que em 16 de outubro de 1998, por ordem do juiz espanhol Baltazar Garzón, o ditador Pinochet em tratamento de saúde na London Clinic, no bairro de Marylebone, recebeu a visita do agente Andrew Hewitt (Scotland Yard) e que lhe deu voz de prisão, em cumprimento à ordem do referido magistrado.... |
A ditadura chilena, sabe-se hoje, foi instaurada por um golpe de Estado apoiado pela Central Americana de Inteligência (CIA), sob o contexto da bipolaridade da guerra fria. Ainda mais, tal como revelado há poucos dias, a Austrália enviou espiões ao Chile, que lá abriram escritório de apoio à CIA na interferência e derr... |
Os memoriais hoje existentes no Chile e a interferência da CIA na consolidação de um regime sustentado sobre crimes contra a humanidade demonstra como a liberdade e a soberania de um povo que democraticamente escolhera seus representantes era comumente destruída mediante apoio de potências ditas “democráticas” e defens... |
O legado autoritário ainda permanece no Chile, com a repressão violenta às atuais manifestações de um povo que busca justiça social. Ainda assim, presidida por uma mulher originária da nação indígenas Mapuche (filhos da terra), a nova constituinte chilena deverá legar um texto magno que simbolizará a ruptura com o regi... |
Vinte e oito anos depois, o mundo se viu aterrorizado pelos terríveis atentados contra os símbolos econômico e militar da potência mais poderosa, à época, no mundo, concretizados na destruição do World Trade Center (WTC) em Nova York e do Pentágono, em Washington D.C. |
Os terroristas da Al-Qaeda, apoiados pelo regime Talibã somente não lograram êxito no ataque ao símbolo político dos EUA, qual seja, o Capitólio, que seria também um dos alvos, porque as/os passageiros do voo United 93 decidiram se sacrificar ao tentar dominar a aeronave ou, na pior das hipóteses, derrubá-la ao atacare... |
As consequências do maior ataque terrorista da história, para o mundo, até hoje se fazem sentir em face das decisões erradas adotadas pelo então Presidente George Bush e sua administração. Iniciada a guerra do Afeganistão em 2001 para derrotar os Talibãs que abrigavam - e se recusaram a entregar aos EUA - o líder da Al... |
Recorde-se que a guerra contra ao Afeganistão foi chancelada pelas Nações Unidas e pela OTAN. Logo os talibãs estavam afastados do Poder, mediante apoio dos EUA à Aliança do Norte, grupo que combatia o regime Talibã, além da invasão direta do país pelas tropas norte-americanas. |
Entretanto, em 2003 foi lançada a guerra contra o Iraque - cujo regime não guardava qualquer relação com os autores do atentado de 11.9.2001 - além de ter sido justificada em razões falsamente apresentadas pelo governo Bush (por exemplo, armas de destruição em massa nunca encontradas), informação obtida após intensas t... |
A decisão reduziu tropas no Afeganistão, efetivamente desencadeou um autêntico “estado de exceção” (ausência do Estado de Direito e do devido processo legal) no mundo, que passou a vigorar sob a visão da famigerada “guerra ao terror”. |
As imagens das torturas cometidas pelas forças armadas norte-americanas nas prisões de Guantánamo (Cuba) e de Abu Ghraib (Iraque), até hoje assombram quem as vê; muitas das vítimas torturadas eram camponeses pobres destes países invadidos pela coalizão ocidental, detidos sem qualquer acusação formal, alijados da proteç... |
No plano jurídico, o Patriotic Act oficializava poderes ilimitados a George Bush e sua equipe que pouco se importaram com a Constituição norte-americana. As tais "técnicas avançadas de interrogatório" consistiram em tortura e barbárie, pura e simples. Centenas de inocentes foram torturados, conforme demonstra o relatór... |
O Direito e a liberdade encontraram seu epitáfio por meio de uma resolução com 60 palavras: “.o Presidente está autorizado a usar toda força necessária e apropriada contra aquelas nações, organizações ou pessoas que ele determinar ter planejado, autorizado, engajado ou ajudado nos ataques terroristas que ocorreram em 1... |
Na ocasião, apenas uma pessoa se manifestou e votou contra: a congressista Barbara Lee, a primeira chearleader negra na história do país, que dizia: ".é um cheque em branco.". Acostumada a lutar contra o racismo nos EUA, desde criança, não tinha medo da impopularidade. Foi ameaçada de morte centenas de vezes por seu po... |
A frase ".usar toda força apropriada e necessária.” selaria o destino de milhões de pessoas inocentes que viriam a perecer nas guerras do Afeganistão e do Iraque; nos centros de tortura clandestinos espalhados por vários países, muitas que não guardavam qualquer relação com os atentados tão terríveis e cruéis de 11.9.2... |
O desfecho, já conhecemos: a violência retornou atualmente ao Iraque e o Talibã, identificado já em 11.9.2001 como parceiro da Al-Qaeda, retorna vitorioso ao Poder no Afeganistão, inclusive mantendo certa relação com os EUA e inaugurando uma nova era de incertezas sobre o renascimento do terrorismo internacional e de c... |
É este o ponto central cuja atenção desejo provocar: os talibãs (estudantes) têm origem na resistência armada religiosa islâmica denominada Mujahedin, treinados, armados e apoiados com armamentos que fizeram a diferença na guerra contra o Exército Vermelho entre 1979 e 1988, exatamente pelos Estados Unidos. Osama Bin L... |
O que os Estados Unidos e o Ocidente não consideraram foi o processo de radicalização em algumas escolas islâmicas que recebiam crianças e jovens empobrecidos e marcados pelas guerras na região, denominada Madrassas, algumas localizadas no Paquistão. |
É importante notar que a data de 11 de setembro, tanto no caso chileno, quanto norte-americano, é marcada pelo terrorismo como elemento comum: no Chile de Pinochet, pelo terrorismo de Estado, a primeira espécie que surge na história da humanidade com a Revolução Francesa (1789) e período no qual o termo terrorismo foi ... |
Mas em ambas as situações históricas, tanto no golpe contra Salvador Allende, quanto no fortalecimento dos Mujahideen, dos Talibãs e da própria Al-Qaeda, a iniciativa norte-americana foi fundamental. |
Ainda pior, retorna-se a um cenário de exceção e de terrorismo de Estado, tanto no plano internacional quando no âmbito doméstico norte-americano, com o desencadeamento da “guerra ao terror”, que torturou e matou; que ainda mantém detidos em Guantánamo, por vinte anos, sem julgamento. |
Não se pode subverter o Estado de Direito e o devido processo legal. O resultado jamais é bom. A democracia e a liberdade, atualmente, encontram-se restringidas. Retornando ao ponto inicial deste artigo, é preciso entender a relação entre os fatos históricos, para compreender as razões de sermos, atualmente, mais vigia... |
Como recitou o Reverendo afro-americano Nathan Baxter, então antigo Reitor da “Washington National Cathedral”, 3 dias após os atentados, em cerimônia de homenagem às vítimas do 11/9: Que enquanto nós agirmos, não nos tornemos o mal que deploramos. |
2018-09-10T18:45:00.000Z |
Breno Altman, fundador de Opera Mundi, apresenta: Como fica o país após o ataque a Bolsonaro? |
Candidato neofascista sofre agressão a faca. O culpado pode ter algum desequilíbrio mental. Ultradireita busca tirar proveito eleitoral e se mobiliza. Brasil em transe. Quais os reflexos sobre as eleições? |
2018-09-05T17:46:15.000Z |
Breno Altman, fundador de Opera Mundi, apresenta: como o sistema judicial se voltou contra o PT?A crítica petista ao modelo político dos Estados socialistas e a defesa do republicanismo. O empoderamento do Ministério Público e da PF durante os governos Lula e Dilma. A Lei da Ficha Limpa e demais atos contra corrupção. ... |
2018-08-22T15:38:00.000Z |
Dia 21 de agosto de 1968: tropas soviéticas intervém na Tcheco-Eslováquia. Acaba o chamado “socialismo com rosto humano”. O que era essa experiência? Por que Moscou interveio? |
Breno Altman, fundador de Opera Mundi, apresenta: O que foi a Primavera de Praga? |
São Paulo (Brasil)2020-03-31T22:00:00.000Z |
Nesta segunda (30/03), o Ministério da Defesa não se conteve em soltar uma nota sobre o dia de hoje (31/03), aniversário do golpe de 1964. Na nota, o general da reserva que a assina, Fernando de Azevedo, explicita o caráter democrático do “movimento de 64”, principalmente pelo que ele, em teoria, teria evitado. O presi... |
Não há necessidade de entrar em detalhes sobre como a ditadura militar brasileira foi, sim, um período de violência, censura, cerceamento democrático e atraso para o desenvolvimento do país. Não faltam boas referências, ainda mais desde o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando nosso atual presiden... |
Nos jornais e nos livros, as provas são extensas. Você talvez até vá encontrar hoje e amanhã menções sobre os 40 mil casos de meningite em São Paulo durante o governo Médici, abafado pelo Estado, em paralelo à situação que vivemos hoje. |
A questão é que em uma disputa de narrativa tal como temos hoje, as evidências, por mais numerosas, são insuficientes. O negacionismo do caráter criminoso da ditadura militar ganha força e se torna uma opinião válida contra fatos históricos e ganha força nas decisões governamentais de, por exemplo, interferir na Comiss... |
Contra esses ataques, apenas com uma memória coletiva forte é possível o resgate da verdade, mas nós não podemos contar com isso no Brasil. Apesar das incansáveis lutar de diversas organizações, o discurso hegemônico é, se não negacionista, brando. Além disso, e talvez mais importante, é como falar sobre uma ditadura q... |
A questão é que há relações muito estreitas entre a violência estatal hoje e aquela instaurada pela ditadura militar. Polícia militar, milícias, prisões ilegais, tortura, perseguição a populações indígenas e fraudes de atestado de óbitos são algumas das práticas aperfeiçoadas pela ditadura e que sobrevivem até 2020. Is... |
A disputa da memória da ditadura militar é necessária para a construção da memória da violência hoje e para a luta pelas mudanças que precisamos que ocorram. Não uma luta apenas pela História nacional, e aí reside sua importância. |
É preciso, como sociedade, fortalecer as instituições que lutam pela construção da memória da violência da ditadura e da democracia, com foco especial nas vozes das vítimas e dos estudiosos que se debruçam sobre o tema. |
É revigorante ver a sociedade se movimentando nesse sentido. Há, por exemplo, o Movimentos Mães de Maio e, mais recentemente, o Instituto Marielle Franco, que representam parte dessa luta. Só assim podemos ter uma compreensão ampla da nossa realidade e saber como buscar as mudanças que sabemos ser necessárias. |
São Paulo (Brasil)2020-04-27T20:25:00.000Z |
São Paulo (Brasil)2019-12-05T15:20:00.000Z |
O trecho abaixo é o prefácio feito por Renato Rabelo, presidente da Fundação Maurício Grabois, para o livro China - Socialismo e desenvolvimento, de Elias Jabbour (Anita Garibaldi, R$49,00). |
Elias Jabbour expõe nesta edição uma agenda de pesquisas, um roteiro de seu trabalho atual referente à questão na qual se empenha, relativa à Nova Formação Econômico-Social na China contemporânea. Nesse sentido, sua atividade exploratória tem origem em duas obras focadas nas reformas introduzidas por Deng Xiaoping, a p... |
São cada vez mais exigentes e candentes o estudo e a pesquisa empírica do que vem ocorrendo desde a promulgação da República Popular da China há sete décadas. Uma discussão que se estende e galvaniza atenção crescente de acadêmicos, economistas, cientistas, amantes do progresso social. |
Elias Jabbour vem se dedicando nesses últimos 25 anos ao estudo do que se passa nesse gigantesco país asiático. E, como ele o observa, não se trata de um simples “milagre” ou uma “casualidade”, mas como “parte da história da civilização humana”, como uma rica experiência de transformação econômico-social de nosso tempo... |
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Esse processo de transformação inaudita da China, no contexto global de mudanças de vulto, define um balanço de forças em movimento: tendência de um declínio relativo da hegemonia dos EUA e ascenso de novos polos de poder, primordialmente da China, e crescente multipolarização. Assim se atinge uma nova etapa histórica ... |
Elias, em seu estudo, vai adiante, acentua uma dimensão maior do curso histórico em movimento na China, a perspectiva perseguida pelo Partido Comunista da China, tendo como caminho, da sua Revolução Nacional-Popular, iniciada há 70 anos, a construção da sociedade socialista moderna e avançada, prevista em termos de lon... |
Acredito que a questão nodal de nossa época, já na segunda década do século XXI, é a refrega por uma alternativa ante a continuidade do capitalismo, que se debate em uma crise estrutural, ao cabo de seus 600 anos na cena da história, ancièn regime de nosso tempo; por outro lado, o mais decisivo, uma definição da altern... |
Quanto ao capitalismo contemporâneo, o fato é que, nos marcos do sistema, ele não conseguiu superar a grande crise iniciada em 2007-2008. O problema de fundo é que esse sistema vive uma crise estrutural, porquanto falta uma solução estrutural para resolvê-la que, por sua vez, aumenta a crise social que acirra a disputa... |
A luta pelo socialismo e sua construção irrompe desde o início do século XX em sociedades capitalistas relativamente atrasadas. Este é o caso da China que contava inclusive com regiões onde prevaleciam uma relação de produção pré-capitalista. Na atualidade, sua experiência se distancia do “modelo soviético” de um perío... |
Elias Jabbour salienta no exemplo chinês, quando o processo se acelera a partir das reformas de 1978, a adoção de uma combinação do desenvolvimentismo de tipo asiático em fusão com o Estado revolucionário fundado em 1949. |
No desbravar do que seja a alternativa chinesa – a experiência socialista recente e as dinâmicas do Estado desenvolvimentista –, Elias soube reunir talentosos parceiros – dentro e fora do país, economistas marxistas e keynesianos – e buscar nos “clássicos do desenvolvimento” destrinchar o peculiar “socialismo de mercad... |
Fora disso o processo chinês incorre em formulações que podem ser vistas de forma estática, instantânea, modelar, como uma simples “restauração capitalista” ou um “capitalismo de Estado”. Desse modo não dá conta da distinta formação econômico-social em evolução, da abordagem dos fenômenos com suas singularidades e da s... |
A China na complexidade de sua formação econômico-social, oriunda do seu nível primário de desenvolvimento, determinou como sua principal tarefa o crescimento das forças produtivas, colocou o socialismo com suas próprias características na vanguarda do processo de desenvolvimento e crescimento na época em que vivemos. ... |
O trabalho exploratório de Elias e parceiros, nessa relevante empreitada, situa na experiência chinesa o curso dos ciclos decenais em movimento e inovações institucionais necessárias. Dessa dinâmica desponta uma poderosa estrutura estatal constituída por grandes corporações empresariais e financeiras, em lugares-chave ... |
A sua coragem de pensar e perscrutar, como ele afirma, baseada nos clássicos do materialismo histórico e no leito da heterodoxia econômica leva-o a uma ousada agenda de pesquisa sobre a China, quando ele assevera: “O controle crescente, por parte do Estado [chinês] dos fluxos nacionais de renda, desde 2012 dá forma à f... |
Hoje Elias Jabbour é um estudioso persistente, dedicado a um trabalho meritório, que tem um papel relevante na linha de pesquisa da Fundação Maurício Grabois para os dois grandes temas de nossa época: 1) as tendências do capitalismo contemporâneo; e 2) a conformação do socialismo contemporâneo nas experiências revoluci... |
São Carlos (Brasil)2020-05-10T14:30:00.000Z |
Tem sido lugar comum entre os críticos de Bolsonaro apontar sua impressionante falta de empatia, aquela capacidade de sentir o sofrimento alheio e com ele solidarizar-se que, para muitos, é o que distinguiria os seres humanos de bestas feras. |
De fato, quando o Brasil caminha célere para ser o campeão mundial de contaminações e mortes por covid-19, condição mal disfarçada pela evidente (e deliberada?) subnotificação, não se teve até agora nenhuma, repito, nenhuma manifestação presidencial de solidariedade ou pesar às vítimas ou a seus familiares. Só um retum... |
Mas as últimas semanas tem mostrado a quem queira ver que a total falta de empatia, não é um atributo individual do capitão. Ela é a expressão da maneira como enxergam as vidas humanas aqueles a quem ele serve: os empresários e rentistas, os ricos, aquele 1% da população que draga uma parcela cada vez maior da riqueza ... |
Não é mais uma questão ideológica, nem uma discussão sobre mérito, nem um debate abstrato sobre a igualdade. É a face crua dos fatos e a desfaçatez das declarações daqueles que estão acima dos seres humanos comuns, que trabalham para por alguma comida na mesa da família e aqueles que nem mesmo isso conseguem fazer. |
Semanas atrás o dono da Madero previa que chegaríamos a 7 mil mortos e tudo bem. Pouco depois Jorge Paulo Lemman, o segundo brasileiro mais rico do mundo, confessava que as crises são oportunidade para ganhar mais dinheiro. Semana passada veio o jovem presidente da XP Investimentos nos tranquilizar porque o pior da cur... |
Nesta semana descobrimos que um rico empresário do Pará, estado com o sistema de saúde colapsado, paga 120 mil reais de aluguel de um jatinho equipado com UTI para vir ser atendido em São Paulo num dos hospitais da elite. |
Agora é o presidente que leva representantes de 15 setores industriais, ao Supremo Tribunal Federal para pressionar pelo fim do isolamento social porque senão, “haverá morte de CNPJs”. |
Isso mesmo, meu caro leitor, não importa sua filiação política, nem o que você acha de Bolsonaro ou Moro ou Lula ou o centrão. Os donos do dinheiro é que mantém o capitão lá para acabar com seus direitos. E agora para deixar claro que sua vida e a de seus familiares não valem nada. |
A menos que você tenha 120 mil reais para pagar um jatinho que o leve aos hospitais mais caros. Se for este o caso, acho que você não deve perder seu precioso tempo lendo esta coluna. |
*Carlos Ferreira Martins é Professor Titular do IAU-USP São Carlos. |
2018-09-21T20:00:00.000Z |
End of preview. Expand in Data Studio
Este dataset é composto pelos artigos encontrados nos seguintes portais de notícias:
Cada pasta dentro do arquivo "artigos-extraidos.zip" contém os artigos em sí, porém não limpos.
O arquivo "br-news-prototype-dataset.json" é um json contendo todos os artigos concatenados e separados em chunks que foram utilizados para treinar a ultima versão do modelo "br-news-prototype" criada no dia 16/09/2023.
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